Todo poeta é esquizofrênico: cria um amor que não existe, um toque que não sentiu e um fim que não acontecerá. E se apaixona mesmo assim.
(Luiz Guilherme Amaral)
Todo poeta é esquizofrênico: cria um amor que não existe, um toque que não sentiu e um fim que não acontecerá. E se apaixona mesmo assim.
(Luiz Guilherme Amaral)
Tudo que eu
queria
era uma amor.
Mas quem tudo
quer
nada tem.
Era para ser um artigo para uma revista, mas a revista não queria um artigo, e, sim, uma matéria. Enxerido que sou, escrevi o artigo.
* * *
Os mais incrédulos, os pessimistas e os palpiteiros por muitas vezes tentaram matar o rock ‘n roll. Claro que, analisando superficialmente, parecia ser possível, se levarmos em conta todas as modas que circulam no espaço-tempo. Lembro-me da minha irmã do meio, que já ouviu house, rock, sertanejo, MPB e hoje, ao que tudo indica, parece ter estacionado no Pink Floyd – ótimo para ela. No entanto, para os que veem a música não apenas como uma tendência, e sim como uma expressão contínua, estava claro que o rock não morre nunca.
Primeiramente pela tradição. John Lennon dizia que “se o rock ‘n roll tivesse outro nome, ele se chamaria Chuck Berry”. E Chuck nasceu em 1926. O rock, bem sabido, é uma poção mágica, cujos ingredientes são o blues, o rockabilly, gospel e, acreditem, até a música clássica. Com um cerne tão poderoso como esse, já era de se imaginar que o rock se tornaria a libertação de uma juventude, que começou a desenvolvê-lo já na década de 40. E os nomes das pessoas que transformaram o rock ‘n roll e o eternizaram são infindáveis.
Segundo lugar: não há possibilidade de qualquer estilo musical morrer. Quando ele é criado e desenvolvido, por menor que seja o grupo de pessoas, ele fica guardado numa pedra de âmbar. Nós podemos procurar na cabeça (ou no Google, nossa segunda cabeça) sobre algum estilo musical que ninguém mais lembre ou toque. Simplesmente não existe. Ou, se existir, há sempre uma dissertação acadêmica sobre ele. Se pensarmos, por exemplo, na música havaiana, não vemos muitas pessoas ouvindo por aí em seus iPods. Mas, alguém que conhece um pouquinho e é perguntado sobre ela, já solta nomes como Gaby Pahinui e Israel Kamakawiwo’ole. Então, é fácil ver que mais forte que a moda é a memória. Por isso, talvez, bandas antigas como Iron Maiden, Faith no More e AC\DC esgotam os ingressos em dois dias. O povo sabe o que é bom.
Último, e não menos importante, são os entusiastas. Neles, somam-se o gosto musical apurado, o prazer de resgatar a memória, a importância de dividir com alguém um momento tão bonito como uma faixa do Led Zeppelin no vinil e o entorpecer que este estilo causa. Um dos grandes entusiastas que eu vejo (na verdade ouço) nos últimos tempos é o Morcegão, da Morcegão FM. O projeto é ousado e louvável: uma web radio que só toca rock ‘n roll clássico, nacional e internacional. Diariamente, das 10h às 17h ele está ao vivo e durante a madrugada tem o repeteco do dia. Aos sábados, só rock nacional. E é impressionante como, em 4 meses, a Morcegão FM conquistou tantos seguidores. São mais de 150 cidades distribuídas em 30 países firmes e fortes ouvindo músicas em qualidade digital e os vinis que tocam por lá. Parece até jabá, mas, não: é o reconhecimento de que o rock ‘n roll tem o seu espaço e que ninguém tira.
E quando insistem em dizer Elvis não morreu, esta frase tem toda a lógica do mundo.
Luiz Guilherme Amaral é redator publicitário.
Aceita minha palavra
aceita meu olhar
guarda minha lágrima
desperta sempre a cantar
Que mais pediria?
Onde mais iria?
Tenho seus braços
tenho meu espaço
Justo é ser você
precisamente, diariamente
incessantemente
meu dia é você
Valendo 5 convites para o novo Orkut. Continuem o poema nos comentários. Os 5 mais bacanas levam um convite cada. Eu aviso quem ganhou na terça. Não esqueçam de deixar o nome do twitter, ok?
UPDATE: devido a apenas UMA participação, acabou a brincadeira. A segunda parte do poeminha é do @rda9000
* * *
Beleza do mundo
Vê, seu moço
óia até onde espaia essa nuvem
Duma admiração que até frouxeia a voz
as água, as árvore, os bicho
Seu moço,
nóis aqui lida cum a terra
nóis se refresca com o vento na testa
aqui nóis lê com luz de vela
É, seu moço,
a gente mesmo cria e colhe
o que vai na nossa panela.
junto cos bicho nóis se recolhe
e o por do sol é nossa tela
música nóis num escolhe
é os passarinho na janela
tuitar sei não, mas olhe,
com uma boa prosa nóis te acolhe.
Qual é o valor de uma manhã que não vemos porque estávamos dormindo tão agarrados que só nos cumprimentamos à tarde? Qual é o valor, para você, de esperar por um copo de suco de laranja na cama enquanto ouve aquela musiquinha que eu escolhi especialmente para você sorrir e iluminar a casa inteira? Qual é o valor, pensando em nós, de dividir o mesmo livro, já que eu insisto tanto nele que você se encheu das minhas mumunhas? Qual é o valor de topar comigo em uma esquina enquanto saímos para almoçar sem combinar? E daí, já que não combinamos, fizemos o que gostamos: improvisamos um convite. Porque nós somos tão inteligentes e pensamos tanto um no outro que sequer imaginamos a hipótese disso acontecer. Qual é o valor de esperar por aquele telefonema no meio da tarde quando tudo está um caos e um vê no outro o barranco para encostar e, por um minutinho só, ver os bois passarem sem boiadeiro?
Se você vê o valor disso tudo, então é porque você e eu somos iguais. Porque eu não premedito a paixão. Mas é que eu sei que você é igualzinha a mim quando o assunto é ser feliz. Veja só, nós entendemos a simplicidade das coisas. Nós dois queremos um sábado ensolarado para sentar na grama do parque e dar risada loucamente. Sem violão, porque, infelizmente, nós estávamos muito ocupados deixando bilhetinhos e nos esquecemos de entender campos harmônicos e acordes. E nós queremos tanto estar ao lado um do outro que às vezes até perdemos a noção do tempo. Você é igual a mim porque você prefere ganhar palavras de presente. Você é igual a mim porque você vê uma mágica incomensurável na brutalidade e na vitalidade de um olhar bem dado, naquela hora exata. Você é igual a mim porque você gosta de dizer que me adora, assim, com a boca bem pertinho da minha nuca, fazendo-me arrepiar até o último fio de cabelo.
Impressionante como somos simples para fazer o outro feliz. E, mesmo sendo simples, somos perfeitos nisso. Autoridades no assunto. Se você entende o valor de um abraço é porque, tal como eu, sabe que é nesse momento que nós reafirmamos que somos uma pessoa só. Diferentemente de todas as outras pessoas, que se intitulam como casais, nós somos um só.
(En homenadjen a El Dia Internacional de Hablarse Portuñol)
Cuando dame tu sonrisa
el dia se clarifica
y el dolor nunca se llega
Cuando dame tu sonrisa
Hasta el dia más cinza
Tranformase en una dádiva única
Cuando dame tu sonrisa
no hai muerte
no hai desespero
solamente la aurora de tu sonrisa
de enero a enero
Eu te encontro na primavera
para dizer como é bom estar com você
e encenar aquele abraço que vimos no cinema
Eu te espero no inverno
para você me dar aquele sorriso bonito
e prometer que sempre estará perto
Eu não contarei as horas
e não vou olhar o calendário
porque não vale a pena pensar
quanto tempo vai restar
até eu ter que ir embora
para depois esperar mais e mais
até estar com você de novo
Mas eu não fico triste
porque você não descola de mim um minuto
estando perto ou longe
eu sinto seus dedos entrelaçados aos meus
e é assim que eu gosto de viver
sabendo que você está na minha
tanto quanto eu estou na sua.