A vida é só uma

fevereiro 9, 2010 por Luiz Guilherme Amaral

A vida é so uma
é nela que eu vou escolher
as palavras mais belas
para te dar de presente
porque, sabemos, a vida é só uma
e você merece passar por ela
com os ornamentos mais lindos
(nossas palavras preferidas)
tal como fez com a minha vida
no dia que surgiu diante de mim
e que fará até o limite
dos nossos olhares mais sinceros

Seu sorriso

fevereiro 9, 2010 por Luiz Guilherme Amaral

Eu carrego do mundo o que vejo de mais bonito
porque é o que eu sei fazer: observar
e não posso deixar de carregar o seu sorriso

Porque não há estrelas nem marés
que possam deixar tudo tão bonito
quanto cada segundo do seu sorriso

Não me deixaria levar pelos acordes mais perfeitos
e nem seria seduzido pela luz de um dia de verão

Eu sou diariamente levado pelo seu sorriso
com verdade, lágrima e afeto
já não sou mais eu, sou apenas uma luz
refletindo em sua janela para te desejar bom dia

Eu sou eternamente levado pelo seu sorriso
como um menino, como um amante
como quem merece um presente tão lindo

E-mail ao Sr. Rosemberg

fevereiro 1, 2010 por Luiz Guilherme Amaral
Foto: Fanáticos por Futebol

Foto: Fanáticos por Futebol

Caro Rosemberg,
Vamos falar de negócios, que é algo que o senhor entende muito bem. Antes de mais nada, gostaria de dar os parabéns por todas as campanhas de marketing que estão sendo executadas desde o começo da administração Andrés Sanchez. Para falar a verdade, eu, como publicitário, tenho muita vontade de trabalhar com uma equipe tão boa no que faz como a sua.
Não acredito que o senhor tenha o toque de Midas, como alguns outros grandes mestres do Marketing, quais são Philip Kotler, Michael Porter, entre outros. Mas, observando o seu desempenho, posso dizer que o senhor entendeu muito bem o cerne da profissão e, aliado ao fato do senhor amar dinheiro mais do que qualquer coisa, consegue desempenhá-la de forma a se tornar uma referência para os entrantes no mundo marqueteiro. Então, mais uma vez, dou os parabéns pelo trabalho que vem executando.
Agora, vamos falar sobre Corinthians, que é algo que o senhor entende muito pouco. Gostaria de saber onde o senhor e a sua equipe estavam com a cabeça ao aprovar uma camisa horrorosa como aquela. O que é aquela cruz? O que é roxo? Meu caro, nós somos alvinegros! Estamos no Centenário! Todas essas escolhas que vocês fizeram vão de encontro com absolutamente TUDO que é importante para a tradição corinthiana.
Vender produtos é importante? Lógico que é. Mas deve ser feito com responsabilidade. Não é possível que o senhor, como um torcedor como qualquer um de nós, conhecendo a história do clube e tudo que ele representa, dê um sinal de positivo para uma empresa de material esportivo produzir uma camisa que não representa NADA sobre o time em seu ano mais glorioso.
Roxo era o saco do Collor. Roxa é a beterraba do seu almoço. O Corinthians é PRETO E BRANCO. E, neste ano, mais do que nunca, estas duas cores devem ser ressaltadas. O senhor e sua equipe fizeram uma péssima escolha. Espero que não se arrependam pois, se depender de mim, meus amigos não compram esta camisa.
Até breve.

Luiz Guilherme

Precisão

fevereiro 1, 2010 por Luiz Guilherme Amaral

Gosto de você
Como dois e dois são quatro
feito com uma precisão sem igual
dentro de um cálculo para um espaço
bidimensional

Gosto de você
porque você sorri dentro do meu olho
e reclama com o fato de eu ser desligado
mas é que eu sou desproporcionalmente
quadrado

Eu gosto de você
por isso eu digo “gosto de você”
assim, do nada, salvo e são
quando nossos dedos se entrelaçam formando uma
equação

É verdade, eu gosto de você
e não digo que é em vão
porque é para você que eu acordo cantando
e com os olhos apertando de saudade
calculando

A próxima vez que você vai aparecer.

Beautiful People

janeiro 23, 2010 por Luiz Guilherme Amaral

Conhecem o Beautiful People.com? É um “site de relacionamentos da internet” (Rede Globo) gringo onde apenas pessoas consideradas bonitas podem participar. Mas, vamos definir o que é uma pessoa bonita. Hoje, pelos padrões estéticos contemporâneos, as pessoas consideradas bonitas são as que têm simetria perfeita do rosto, contando com um queixo na proporção correta ao tamanho da face e blah e blah. Na verdade, nem sei definir.

Este é o site:

Pelo método de aceitação, provavelmente deve ter umas três pessoas que olham as fotos dos candidatos e falam “é bonito” ou “é feio” (ah, é gringo, então “yes, he can” ou “no fucking way”). Muito subjetivo, mas, mesmo assim, passível de testes. Vou me inscrever.

Como é um site gringo, acredito que fica mais fácil se eu tiver um nome gringo. Ainda que meu IP registre Sorocaba, SP, pode ser que eu passe no crivo. Escolhi, então, o nome Lewis Galagher, mesmo sabendo que Guilherme em inglês é William. Se eu usar Lewis William (Luiz Guilherme), dará a impressão de que eu sou de alguma novela mexicana, tipo Arnaldo Leonardo. Então, eu vou usar um nome mais comum. Também, não vou assinalar Brasil, mas United Kingdom (sim, o IP, eu sei).

Depois de colocar meu nome, email, data de nascimento e sexo, o site pede para colocar uma foto. Como eu tenho uma foto com o rosto cortado, eu vou colocar outra. Esta aqui:

O Orkut definiria como mirror-cracking material, mas, como eu sei que ele é tendencioso, vou deixar para a “banca” do site julgar. Lembre-se: padrões estéticos contemporâneos. Após 3 simples passos, estou pronto para ser julgado.

Depois de fazer a inscrição, ele dá uma tela de boas vindas parecendo um sistema operacional. Nada muito eficiente. Aliás, uma interface bem sem-vergonha, lenta e que dá muito pau tanto no Firefox quanto no Chrome [nerd mode ON]:

Notem para a primeira mensagem:

You profile is now being rated by the existing members of the opposite sex. In the next 48 hours you are able to follow your rating progress by clicking on ‘My Profile’ in the main menu. To make your profile more appealing you might consider adding more information about yourself or adding more pictures to your photo album.

“Perfil sendo avaliado por membros existentes do sexo oposto”. Ainda pede para adicionar mais informações para que eu pareça mais “desejável”, “crível”.

Então, durante o preenchimento do formulário, optei por colocar frases de efeito bem características, tipo “I am a citizen of the world. I set no boundaries for dreamers like me” e outras idiotices. Em job description, tentei ser mais livre de amarras, então inseri “Enterpreneur”. Área: Advertising. Afinal, não dá para mentir em tudo, né?

Então, ele pede para descrever o físico. Fui de cabelo e olhos castanhos, 1.77m de altura e 77 quilos. Quase tudo verdade. Relationship status: SINGLE! Lógico. Daí, fiz algumas outras burocracias, como preencher direito meu nome e colocar alguns outros detalhes. Como o site pediu para colocar fotos, optei por uma outra que já tinha aqui. É bom fazer o que ele manda, mas sem abusar.

Então, completei minha inscrição. Dentro de 48 horas, saberei se eu sou bonito ou não para o site. Se eu entrar, ponto para a canalhice. Se for recusado, com licença que eu vou ali me matar e volto logo.

Assim sendo, vamos aguardar o veredicto.

Qual será o resultado? Espere e verás!

[UPDATE]: Abri meu e-mail e recebi esta mensagem:

Dear Lewis,

Unfortunately, your application to BeautifulPeople Network was not successful. The members of BeautifulPeople did not find your profile attractive enough.

Please note, only one in five applicants are currently accepted into BeautifulPeople.com.

Quer que traduza?

Caro Lewis,

Infelizmente seu cadastro na rede Beautiful People não obteve sucesso. Os membros do Beautiful People não te acharam atraente o suficiente.

Por favor, tenha em mente que apenas 1 a cada 5 candidatos são aceitos no Beautiful People.com.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH! Eu sou feio!

Auto-crítica

janeiro 21, 2010 por Luiz Guilherme Amaral
Perguntam-me
se vivo o que escrevo
Pois, para vocês
respondo: não vivo.
Eu não escrevo o que eu digo
mas, sim, o que uma pessoa que ama
poderia dizer para a pessoa amada
porque eu, mesmo,
não sou algo para se amar
para se apaixonar.
Com minhas inconstâncias
e teimosia, não mesmo.
Sou intolerável!
Eu aprendo porque observo
porque eu crio uma situação.
Crio um amor, do alto da minha pieguice
com ela eu rio, brinco, choro, dedico
e dela eu me despeço
porque até dentro da minha casca
ela se fartou de mim.
Eu tenho a impressão, nítida
que eu não nasci para que me amem
mas para que admirem
as saídas e entradas que eu crio
com as minhas palavras
E nem são um bando
apenas algumas pessoas que tropeçam em mim
e, de repente, veem que o que eu disse
é o que elas gostariam de ter dito
para aquele amor
que jamais foi igual ao que eu tive
porque não sou passível de ter qualquer um assim.
Minhas palavras são meu ofício
para encher a boca de quem precisa
de quem procura.
Eu não vivo o que escrevo
mas, se alguém viver por mim
já me dou por satisfeito.

Carta

janeiro 21, 2010 por Luiz Guilherme Amaral

Espero que você esteja bem e que o que você desejou esteja se realizando.

Gostaria apenas de dizer que, no meio de tantas discussões e desentendimentos, mantém-se em pé a nossa inquestionável paixão. Porque nada me deixa tão borocochô quanto terminar um dia sem poder falar ao menos que você é importante para mim, e você sabe que isso é verdade. Talvez isso esteja explícito, já que falamos tanto pelos cotovelos, pelos dedos, e sabemos que nossas divergências existem e que as trabalhamos para sermos cada vez mais ideais um para o outro. Só que eu não gosto quando fica tudo meio assim, como uma árvore que ainda não derrubou todas as suas folhas faltando poucas horas para o fim do outono. Nós não nascemos para sermos interrompidos. Nós não nos conhecemos para disputar um olhar triste. Nós somos siameses demais e quando você não caminha no meu mundo, por aqui só acordes graves.

Eu quero me rasgar em palavras bonitas apenas para você ter um frio na espinha ao pensar em mim, e se não faço isso, então entrego minha farda e guardo minhas condecorações na parte mais alta do meu armário, pois é lá que ficam as lembranças das minhas derrotas. Sem você, eu sou derrota. Parece mais que o reflexo do espelho tem vergonha de mim. E, no meio de tudo isso, eu ainda guardo minhas palavrinhas favoritas para dar de presente, porque eu acredito tanto nelas que faço rituais sinceros e descabidos para entregá-las a você. Sempre há um momento certo para dar-te uma palavrinha de presente. A que eu mais escrevo agora é “silêncio”. Dentro de mim, só há silêncio, até você chegar e abrir as janelas. Mas, venha logo. Eu peço.

Até sempre.

Música nos ouvidos

janeiro 18, 2010 por Luiz Guilherme Amaral

Esta noite, a música na minha cabeça estava tão alta que eu não conseguia fechar os olhos. Meus ouvidos derretiam com todos aqueles acordes harmoniosos, seguidos das intervenções dos trovões que conversavam lá fora. Eu ficava olhando para aquele pequeno feixe de luz no teto que, subitamente, começou a iluminar os seus olhos. Espremidinhos, bem daquele jeito que você faz quando sorri. Eu estava escolhendo algumas palavras difíceis e internacionais para mostrar para você, mas eu não conseguia ir além porque são poucas as palavras que podem te supreender, já que você detém as mais bonitas de qualquer léxico na conchinha que faz com as mãos. De tanto tentar fazer uma rima ou uma frase que define o seu papel no meu mundo, eu acabei ficando calado, com a música nos meus ouvidos e seus olhos no teto só imaginando você dormir, lá na sua casa, na sua cama, com as suas meias. Porque eu gosto de ver você como uma manhã e Natal, quando você acorda e sabe que vai ver seus amigos, que vai abraçar sua família e sorrir o dia inteiro, até se empanturrar de presentes e comida. Foi pensando em você, ouvindo aquela música nos meus ouvidos e olhando seus olhos no teto, graças àquele feixe de luz, que eu me dei conta de que, sem você, eu sou apenas uma promessa sem sinceridade.

Eu prometo

janeiro 3, 2010 por Luiz Guilherme Amaral
Eu prometi para mim que, a partir de agora,
tentaria ser uma pessoa melhor.
Vou tentar fumar menos,
beber menos e sorrir mais.
Eu também prometi que não ficarei mais me lamentando,
choramingando.
Eu vou aproveitar cada dia da semana.
Vou emprestar mais livros.
Conversar mais no ponto de ônibus.
Este ano, eu prometi que sucumbiria ao sistema
e começaria a fazer academia.
(Mas, bem de leve).
Eu também me convenci de que sei o que é melhor para mim,
do alto dos meus 30 anos,
e vou conquistar, porque eu quero e eu consigo.
Eu prometi para você que vou prestar mais atenção.
Que não serei pegajoso.
Que saberei aproveitar.
Eu vou continuar te olhando com a mesma camaradagem de sempre.
Eu sei que eu posso cumprir, porque é o que eu sei fazer.
Eu prometo que eu não vou fazer cálculos, projeções ou ficar planejando tudo.
Serei mais espontâneo responsável ao mesmo tempo.
Eu prometo que eu serei mais,
mas que não vou exigir de você mais do que eu posso te dar.

Vida em trânsito

dezembro 9, 2009 por Luiz Guilherme Amaral

Já estava escuro quando eu realmente decidi que as coisas não poderiam continuar como estavam. Na verdade, o escuro estava dentro de mim. Eu, com meus olhos fechados, vendo aquelas imagens que me fazem vacilar quando termino de construir uma frase na minha cabeça. O tempo entre formá-las e pronunciá-las é tão longo quanto uma caminhada para escapar do vento cortante de um inverno norteamericano. Mas eu esperava que uma hora tudo parasse. Eu esperava que uma hora alguém parasse para me dizer que o que eu tenho sido não é merecedor de um olhar mais fixo.

De fato, estar aqui, embaixo desta casca, jamais proporcionará uma posição confortável. O cavaleiro levanta a sua lança, projeta-se aos galopes em direção ao seu alvo e não acerta. Eu não acerto. Já consegui me posicionar em frente ao alvo algumas vezes, e até consegui segurá-lo com a ponta dos dedos, mas eu realmente nunca acerto. Como se ele, o alvo, preferisse brincar de “você não me pega”. E eu não pego, mesmo. Eu sei, porque nunca ouço os aplausos dos espectadores.

Mas quem deseja uma plateia para ver o seu sucesso? Eu não. Se eu tiver uma plateia, tem que ser de uma só, aquela que me escolheu para segui-la. Eu não tenho poder de voto, nem de veto. Não sou eu quem decide para qual lado vai e até onde vai. Não é submissão, é saber o seu lugar no mundo. A vida não foi generosa comigo; meu dever é parar contra o vento para que ele feche meus olhos e esperar que alguém pegue minha mão e mude-me de direção. Ser o espectador do amor alheio, analisá-lo com o calor de quem deseja para si próprio cada segundo daquela transpiração. Nada pode ser combinado com muita antecedência.

Se eu mereço o que eu peço, que seja em pequenos goles. Para durar a vida inteira. Para que o trânsito não sinta que eu estou rodando tranquilamente, aproveitando a viagem, e fotografando cada detalhe. Os movimentos das mãos são sutis, desde o momento que saem da inércia e chegam até meu rosto. Eu me aquieto.