Teve um dia em que eu tentei colocar o queixo no peito para ver se estava com aquela doença. Consegui. Aí pensei: tá tudo bem. Peguei meu molho de chaves, meu comunicador à distância (é que daqui uns 50 anos, quando lerem isto, “celular” já não existirá) e ganhei a rua. Fiz a primeira esquina, dei de cara com latões de lixo. Prossegui. Veio aquela velha mania de cantar enquanto ando. O problema é que, quando comecei a fazer a minha própria versão de “Somewhere over the Rainbow” (versão do Israel Kamakawiwo’ole, óbvio), cansei. Estava numa ladeira. E indo na direção mais ingrata. Diante dessa situação, dei meia-volta. “Já tá bom por hoje”. Pensei em voltar para casa, fazer dois pares de pão com Nutella, deitar no sofá e olhar coisas absurdas. Mais absurdo ainda foi o que eu vi antes de ver o que eu queria ter visto. “Absurdo”, entre aspas, porque era qualquer coisa criada num dos grandes dias de inspiração da humanidade. Ela estava lá. Eu estava lá. Mas nós não estávamos lá. Ela não tirava a música do ouvido e eu querendo porque querendo ser mais interessante o que a lista de músicas dela. “Quer saber? Vou tropeçar na frente dela”. Aí fui, todo energia para cima da primeira obstrução no chão, o que seria a chave para eu entrar em seu mundo. Não havia nenhuma. Tropeçar nos próprios pés é coisa de descompensado. Passei na frente dela uma vez, fui até a esquina, voltei, passei de novo. E de novo. E de novo. Ela nem aí. Voltei para casa e coloquei o queixo no peito para ver se tinha aquela doença. Consegui. Tenho todas as outras, menos essa.
Setembro 2, 2008 às 1:43 am |
Gui mais uma vez, PARABÉNS!
Ficou excelente!
Um abraço!!
Setembro 2, 2008 às 4:28 pm |
viu,
gosto das coisas que indentifiquei qdo li.
mas são coisas da minha demente cabecinha :p
beijo.