Os piores anglicismos atuais
NÃO QUE EU SEJA CONSERVADOR, longe de mim. As línguas são mutáveis e influenciáveis, por isso tornam-se tão belas. O problema é que por conta de modismos, autoafirmação ou filhadaputice, mesmo, algumas pessoas — de qualquer categoria — utilizam anglicismos que não fazem o menor sentido. Sabe aquela história de que “em inglês é mais bonito”? A música é mais bonita, a marca fica mais bonita, o nível de um produto se eleva quando é em inglês. Não dá para negar que, por causa da americanização que sofremos há tantas décadas, as coisas sejam assim. É a mesma explicação que aquele padre português dá sobre as festas cristãs. Todas elas eram pagãs e, por causa do processo de cristianização permitido por Constantino Magno, tudo virou cristão. É a mesma coisa aqui.

O português é uma língua bela. Complexa, mas muito bela. E o processo de aportuguesamento de palavras estrangeiras dá-se de maneira a evitar que certas bizarrices (como a que vemos acima) sejam cometidas. Obviamente temos a influência de outros idiomas, afinal, somos um país colonizado e que aportou diversas culturas diferentes. Do abajur ao chucrute. É isso que utilizar palavras aportuguesadas faz: evitar erros e dar opções.
As modernidades dessa via louca que chamamos de internet também contribuem para que cada vez mais nos apropriemos de palavras estrangeiras — sobretudo o inglês — mas também permite que o uso de anglicismos se torne algo extremamente banalizado e, por que nao dizer, irritante. Vejamos alguns exemplos:
Action figure - você só pode estar de brincadeira, né? Qual criança diz “papai, vamos até a loja comprar action figures?”? Aqui no Brasil, meu chapa, é hominho. Todo mundo fala hominho. Para usar o termo “publicitário” da coisa, diga bonecos ou heróis, mas nunca action figure.
Máscara - a menos que sua namorada / mãe / esposa queira ir a uma festa à fantasia, você não vai comprar máscara, e, sim, rímel. O dicionário contempla máscara como opção, mas o negócio é que rímel, que é muito mais conhecido, jÁ É um aportuguesamento do francês rimmel. Quer dizer, está lá o americanismo novamente.
Anyway - começar uma frase com anyway é assinar um atestado de que você é bocó. Já temos o “de qualquer maneira” ou o “enfim” para resolver o raciocínio na construção de um argumento. Se você está falando em português, não há a menor necessidade de ficar falando anyway o tempo inteiro.
É importante sabermos quando uma palavra pode incorporar nosso dicionário e trazer um sentido mais completo, caso, por exemplo, do deletar, mas que nem tudo precisa ser exatamente substituído por uma palavra estrangeira só porque ela é mais chique. Claro que eu não estou sendo aldorebelista, mas tudo tem limite.

Maldito inglês por esnobismo!
Tem casos que são mais detestáveis: coffee break, em vez de intervalo (ou o famoso “cafezinho”, porque não?), underline em vez de traço (ou Anderlai – http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060807121600AAVJQvX – isso vai virar nome de gente!), etc.
Em publicidade ainda é pior: deadline em vez de prazo final, delay em vez de atraso (sim, já ouvi isso onde trabalhei!: “estamos com um delay aqui nos trabalhos”), entre outras.
Abraços!
Por favor, o que significa aldorebilista?
Essa nem o google conseguiu me responder.
Bem interessante o texto.
“Aldorebelista” é um termo que eu mesmo cunhei por causa do Aldo Rebelo, que queria acabar com o estrangeirismo no Brasil.