Era para ser um artigo para uma revista, mas a revista não queria um artigo, e, sim, uma matéria. Enxerido que sou, escrevi o artigo.
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Os mais incrédulos, os pessimistas e os palpiteiros por muitas vezes tentaram matar o rock ‘n roll. Claro que, analisando superficialmente, parecia ser possível, se levarmos em conta todas as modas que circulam no espaço-tempo. Lembro-me da minha irmã do meio, que já ouviu house, rock, sertanejo, MPB e hoje, ao que tudo indica, parece ter estacionado no Pink Floyd – ótimo para ela. No entanto, para os que veem a música não apenas como uma tendência, e sim como uma expressão contínua, estava claro que o rock não morre nunca.
Primeiramente pela tradição. John Lennon dizia que “se o rock ‘n roll tivesse outro nome, ele se chamaria Chuck Berry”. E Chuck nasceu em 1926. O rock, bem sabido, é uma poção mágica, cujos ingredientes são o blues, o rockabilly, gospel e, acreditem, até a música clássica. Com um cerne tão poderoso como esse, já era de se imaginar que o rock se tornaria a libertação de uma juventude, que começou a desenvolvê-lo já na década de 40. E os nomes das pessoas que transformaram o rock ‘n roll e o eternizaram são infindáveis.
Segundo lugar: não há possibilidade de qualquer estilo musical morrer. Quando ele é criado e desenvolvido, por menor que seja o grupo de pessoas, ele fica guardado numa pedra de âmbar. Nós podemos procurar na cabeça (ou no Google, nossa segunda cabeça) sobre algum estilo musical que ninguém mais lembre ou toque. Simplesmente não existe. Ou, se existir, há sempre uma dissertação acadêmica sobre ele. Se pensarmos, por exemplo, na música havaiana, não vemos muitas pessoas ouvindo por aí em seus iPods. Mas, alguém que conhece um pouquinho e é perguntado sobre ela, já solta nomes como Gaby Pahinui e Israel Kamakawiwo’ole. Então, é fácil ver que mais forte que a moda é a memória. Por isso, talvez, bandas antigas como Iron Maiden, Faith no More e AC\DC esgotam os ingressos em dois dias. O povo sabe o que é bom.
Último, e não menos importante, são os entusiastas. Neles, somam-se o gosto musical apurado, o prazer de resgatar a memória, a importância de dividir com alguém um momento tão bonito como uma faixa do Led Zeppelin no vinil e o entorpecer que este estilo causa. Um dos grandes entusiastas que eu vejo (na verdade ouço) nos últimos tempos é o Morcegão, da Morcegão FM. O projeto é ousado e louvável: uma web radio que só toca rock ‘n roll clássico, nacional e internacional. Diariamente, das 10h às 17h ele está ao vivo e durante a madrugada tem o repeteco do dia. Aos sábados, só rock nacional. E é impressionante como, em 4 meses, a Morcegão FM conquistou tantos seguidores. São mais de 150 cidades distribuídas em 30 países firmes e fortes ouvindo músicas em qualidade digital e os vinis que tocam por lá. Parece até jabá, mas, não: é o reconhecimento de que o rock ‘n roll tem o seu espaço e que ninguém tira.
E quando insistem em dizer Elvis não morreu, esta frase tem toda a lógica do mundo.
Luiz Guilherme Amaral é redator publicitário.








