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Uma breve História do Cristianismo

Julho 21, 2009
Eu estou escrevendo meu pré-projeto de mestrado (ainda) e, como o conteúdo é demasiado denso, já que envolve até neurociência, eu não vou fazer um artigo daqueles de ler 2 linhas e dar com a testa no teclado. Ao contrário, vamos entender a epopeia numa visão mais relax.

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Por Luiz Guilherme Amaral
Deus pegou e apareceu. Ele já estava escondido em um outro plano fazendo umas burocracias e resolveu criar o mundo. Aí ele teve um bate-boca com o demônio – no mínimo uma conta de bar – e mandou o chifrudo para a Terra em forma de cobra.

Javé era uma pessoa criativa e audaciosa. Fez a luz (mas não o Sol), as plantinhas, os morrinhos e, vez por outra, um animalzinho. Ele também fez umas arvorezinhas, onde nasciam uns frutos que ele não deixava comer. Uma das árvores era a “Árvore do Conhecimento”, que ele não queria que colocassem a mão para não dar merda. Mas deu. O Adão comeu a Eva e a maçã de sobremesa. Deus ficou putaço e os expulsou daquele lugar feliz.

deusDeus e seus avatares

Passam-se os anos, a prole aumenta consideravelmente – irmão com irmã, primo com prima e muito oba-oba – e aí um bando de velho começa a querer fundar uma religião. Eles começam a dizer para todo mundo que têm visões, que todo mundo tem que parar de rezar para bois, que desenhos de deuses egípios com ereção é feio e acabam convencendo todo mundo que só existe um deus, Javé, Jah, Adon, YHWH e qual nome você conseguir lembrar menos Alá, que é a partir de 300 d.C, mas que acabou entrando na dança por também ser monoteísmo – ou monótono-teísmo, já que os deuses gregos e hindus são bem mais complexos e legais.

Aí Deus começou a agir. Matou primogênitos, matou porcos, incendiou cidades, pintou e bordou. Nesse meio tempo, mandou umas tábuas falando que ninguém podia fazer nada a não ser adorá-lo. E nisso ele continou matando pessoas, acabando com cidades e ameaçando o povo que ele não curtia.

Um belo dia ele se deparou com tanta maldade que se arrependeu de ter feito o ser humano. Daí entrou em contradição: como que um cara que sabe o que está fazendo pode se arrepender? Beleza, ninguém deu bola e morreu mais uma pancada de gente. Aí ele tentou expulsar uma turminha, só que eles usavam carros de ferro, e ele não podia com isso. Daí entrou em contradição: como que um cara que tem poder sobre tudo não pode com umas carruagenzinhas de ferro? Beleza, ninguém deu bola e morreu mais uma pancada de gente. E assim foi.

A001151Com Javé é assim: não gostou, toma pau.

Um dia, nasceu um cara cheio da marra chamado Jesus (Cristo não é sobrenome, é adjetivo). Falava bonito, cabeludão, roupa rasgada, tinha amor no coração mas detestava Fresno e outras bandas emo. Aí ele começou a se achar tão bom que falou que era filho de Deus. Smalltalker que era, convenceu rápido. Então, juntou um grupinho de pessoas, uma galerinha descolada que estava a fim de entrar nas mais altas enrascadas e pediu para elas dizerem que ele era o tal. Tinha uns caras, chamados Levitas – não, nada de levitação do David Copperfield -, que escreviam todas as historinhas que haviam sido criadas lá atrás e despachavam para todo canto com os velhos doidos e sedentos por controle de massas. Eles diziam que tudo aquilo era verdade, que tudo ia se cumprir e o Jésa começou a mexer os pauzinhos para que se cumprissem mesmo.

Numa dessas, ele disse que ia morrer. Só que ele já sabia que ia mesmo, porque ele estava tocando o terror com o povo de Roma e ninguém gostava disso. Jesus encheu o saco dos caras com essa ideia de que era o filho de Deus, a judaiada não gostava do papo mas ele convencia uma cambada que também era muito chata e fanática. Aí, para mostrar que ele era o ovo da marmita, começou a fazer uns truques: andou em cima da água, transformou água em goró, passou pomada nuns leprosos e disse que tinha curado e fez uns cegos enxergarem. Aí o povo foi ao delírio e ele encheu mais ainda o saco de Roma.

Depois que um sujeitinho chamado Judas vendeu sua confiança e Roma pegou Jesus, ele foi julgado. Tinha um cara chamado Barrabás que não valia o feijão que comia, mas os judeus preferiram ele a Jesus, haja vista a quantidade de bobagem ele já tinha dito sobre ser filho de Deus. Beleza. Nessa, Jesus foi torturado, tomou chicotada no lombo e foi crucificado. Pregaram o cara numa estaca e deixaram lá.

AÍ, O PRINCIPAL ACONTECE! Antes disso tudo, tinha um lance chamado Velha Aliança, que nada mais é do que todo mundo ser amigo de Deus. Mas, a mágica principal estava para acontecer: JESUS RESSUSCITOU! Isso muda tudo de figura! Todos os vergões dele sumiram e ele só apareceu com uns furos nas mãos. A Velha Aliança acaba e surge a Nova Aliança, onde todo mundo que é amigo de Deus também é amigo de Jesus. Apesar de Deus dizer que o Velho Testamento não valia mais nada, algumas pessoas nem se importaram e continuaram a usá-lo. Mas, tranquilo, isso nem faz mal. Jesus mostrou para todo mundo que ele era um cara diferenciado dentro das quatro linhas e ganhou o campeonato da religião mais legal.

eupodiatamatando_gato_jesusJésa fazendo escola pelo mundo.

Num dos rolês que ele dava, disse: “galera, andem por aí e digam que eu sou o fodão. E, se ninguém acreditar, desce o cacete”. Uma igreja muito controladora chamada Católica levou o papo MUITO a sério, e aí começaram a arrebentar todo mundo que viam pela frente, bem ao estilo Run to the Hills: reinos matavam em nome de Deus, governos matavam em nome de Deus, a Igreja matava em nome de Deus… Todo mundo tinha esse pressuposto para enfiar a mão em alguém. E aí o tempo passou, veio o islamismo e os caras também são muito casca grossa. Entrou mais um na briga. Durante os anos que se passaram, tinha cristão brigando com cristão, protestante brigando com católico, judeu brigando com católico, judeu brigando com muçulmano, muçulmano brigando com cristão, isso sem contar que os judeus botaram Jesus na estaca.

24“Porra, bicho, tô pregadão hoje”

Então, começaram a surgir novas vertentes de cristianismo. Milhares de denominações, mas todo mundo continua se achando o tal, só porque tem um amigo imaginário. E os ateus tomando porrada de todo mundo. Então, em 2009, uma maria-chuteira evangélica diz que Deus deu dinheiro para um time bilionário comprar o passe do marido. E é mais ou menos por aí que tudo aconteceu.

Pérola da Educação

Março 1, 2008

Pergunta: O que é apóstrofo?

Resposta: Apóstrofos são os amigos de Jesus que foram numa jantinha com ele e Michelângelo fotografou.
(resposta de um estudante de curso de música)

santa_ceia.jpg

Esse papo tá pra lá de Teerã

Janeiro 24, 2008

Sabe quando você diz alguma coisa e tem a certeza que ninguém vai dar bola? Foi o que aconteceu quando eu expressei minha opinião sobre a polêmica da placa no acesso à “Castelinho” que diz: Sorocaba é do Senhor Jesus Cristo.

UPDATE: O artigo foi publicado no Jornal Cruzeiro do Sul de Sexta-feira (25/01/08) na seção ‘Cartas’.

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O lastro de Deus nada mais é do que um lastro de sandices.

Deplorável a cena reportada pelo Jornal Cruzeiro do Sul a respeito da briga com a faixa colocada sobre a placa na saída da “Castelinho” com os dizeres “Sorocaba é do Senhor Jesus Cristo”. Ora, vamos explicar os fatos.

Já não é de se admirar que um país que se julgue um estado laico (um estado independente de religião) e que tem em sua cédula monetária a frase “Deus seja Louvado” possa ter cidadãos que provoquem esse tipo de atitude. A bem da verdade é que uma cidade que acolhe e respeita todas as ideologias não pode se ater apenas aos religiosos, mas também aos ateus, e que não são poucos. Só no Brasil, somos em mais de três milhões. E se você acabou de pensar “o que os ateus sabem sobre religião?”, posso responder que conhecemos esse assunto com muita propriedade, pois para falar mal de alguma coisa, temos que conhecer bem.

E se a discussão foi o desrespeito com a religião, como disse o pastor Flávio Antônio Corrêa Leite, devo lembrar que, em toda história, os cientistas sempre tiveram o senso comum de respeitar religiosos, e no entanto toda vez que a igreja subiu ao poder, ela mandou matar os cientistas. Então, qual é o senso de respeito que a religião pode proporcionar? Como você pode confiar um grupo de pessoas cujo símbolo principal é um homem pregado em uma cruz de madeira? Como confiar num livro onde a maior autoridade é um deus de guerra e que seu filho traz a espada? Como confiar em uma crença que espalha a intolerância? Em toda sua história, cristãos derramaram sangue e dizimaram outras religiões, tudo por se sentirem ameaçados. E hoje, a igreja emperra o progresso intelectual com seus dogmas parcos, cheios de fábulas e que não cabem mais no mundo em que vivemos.

Ética, em seu sentido mais amplo, é entender as diferenças, aceitá-las e trazer a boa convivência. Não é o que acontece quando falamos de religiosos. A história da religião é extremamente clara ao apontar evidências de exclusão, agressão, tortura e chacinas. E parece que esses mesmos cristãos não leram as palavras do seu próprio messias, onde ele diz que devemos respeitar e tolerar as diferenças. Ateus como eu nem precisam ter uma divindade para saber que isso é o que garante o bom convívio entre as pessoas.

Religião não se discute? É claro que se discute! O problema é que não haverá em toda história um teólogo ou religioso que possa trazer respostas tão lúcidas quanto a razão pode proporcionar. Enquanto legiões cristãs entram na África sub-saariana e tentam converter habitantes portadores de HIV ao cristianismo e ensiná-los que camisinha é pecado, existe uma série de cientistas que trabalham arduamente para resolver as questões que qualquer crença não pode resolver. A citação “duas mãos trabalhando valem mais do que milhares rezando” jamais foi tão óbvia como neste momento.

Tolerância religiosa não é dizer que existe a praça dos espíritas, a esquina dos muçulmanos ou a ponte dos rastafari. Tolerância é aprender o máximo possível com quem pensa totalmente o contrário de você.

Luiz Guilherme Amaral é publicitário em Sorocaba.
lgla80@gmail.com