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Zoado por um Zé Droguinha

Fevereiro 21, 2008

 

Eu estava no ponto de ônibus com a minha linda camisa do Corinthians e lendo meu livro quando chegou um cara muito doido, que eu costumo chamar de “Zé Droguinha”:

Zé Droguinha: Ô, corintiano! É você, mesmo!

Eu (já querendo expulsar o cara):

Zé Droguinha: Então, tem como vc me arrumar 50 centavos pra mim (sic) voltar pra casa?

Eu(já querendo expulsar o cara): Puta, cara, não tenho…

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Nessa ele senta do meu lado e diz:

Zé Droguinha: O que que você tá lendo aí?

Eu(sem acreditar no que estava acontecendo): Então… to estudando…

Zé Droguinha: Estudando? E você vai ser o que?

Eu(sem uma desculpa melhor para dar): Ah, eu vou ser…

Zé Droguinha (interrompe): Advogado?

Eu: isso…

Zé Droguinha: Porra, cara, você vai ser um advogado perdido, então. Advogado tem que ser comunicativo.

Aí ele levanta e vai embora cantando.

Ceguinho gaitista

Fevereiro 18, 2008

DEVIDO A UMA SERÍSSIMA restrição orçamentária por conta dos últimos acontecimentos na minha vida, ando de ônibus. Não comprei um possante ainda. Até aí, tudo bem, porque a vida inteira andei de busão e sinceramente não reclamo, uma vez que neles tenho tempo de ler, fazer anotações, etc.

EIS QUE UM DIA estou sentado no ônibus e meu colo mais parecia uma escrivaninha: caderno, livro, caneta, mochila. Estava estudando o livro do Sam Harris, “Carta a uma Nação Cristã“. Anota daqui, lê dalí e, de repente, o ônibus pára num ponto e sobe um ceguinho com a filha dele. Aí, começa aquele discurso (decorado):

Ceguinho: Boa noite, senhores passageiros. Eu gostaria de pedir a colaboração de vocês pra comprar comida porque hoje acabou o leitinho dos meus filhos e eu e a minha mulher estamos desempregados. Aceito moeda, vale-transporte, vale-refeição.

ATÉ AÍ, TUDO BEM, porque ninguém precisa saber ler ou enxergar para decorar esse texto. Ele é repetido no mundo todo em 317 idiomas. Eis que ele manda:

Ceguinho: para agracecer a ajuda de vocês, vou tocar uma música com a minha gaita. Deus abençoe.

AÍ ELE TIRA uma gaita velha, surrada, babada e começa a tocar música sertaneja! Aí eu pirei de ódio!

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Além de estar num busão com o colo cheio de coisas e uma gorda do meu lado me espremendo, eu tenho que ouvir um mendigo tocar gaita enquanto a filha dele recolhe o dinheiro e diz “OBRIGADO DEUS TE ABENÇOE” a 457 decibéis! AH, VAI-TE À MERDA!

Foi-se o tempo em que transportes públicos eram bons.

Considerações:

1) O fato dele ser cego NÃO IMPLICA que ele deva ser mendigo. Existem cegos que fazem coisas espetaculares em diversas áreas. Eu sei até de gráficas que contratam cegos para colocar encartes publicitários dentro de jornais. Trabalho braçal, porém digno.

2) O fato dele ser cego NÃO QUER DIZER que a população deva ter dó dele e colaborar com essa mendicância. Existem pessoas surdas, sem braço, sem perna e com vários outros problemas físicos, mas nenhuma delas está livre de ter uma profissão.

3) Eu não dou UM CENTAVO para mendigos porque a culpa dele ser pobre não é minha. Existem muitas pessoas que estudaram a vida toda em escola pública e hoje são grandes profissionais. E não me venha com esse papo de família desestabilizada e tal. Quem quer conquistar as coisas, faz por onde.

4) o fato dele ser cego NÃO JUSTIFICA obrigar a filha a prestar esse papel de ficar pegando as esmolas que o povo dá por causa de um problema que atinge 3 milhões e meio de pessoas no país.

5) Não me venha com esse papo politicamente correto de que cego é deficiente visual. Eu não sou preconceituoso com ninguém e por isso não fico com não-me-toques. Eu sou branco, e não caucasiano. Tenho amigos pretos, e não afro-descendentes. Conheço surdos, e não deficientes auditivos. Demagogia é para os fracos.

Eu simplesmente não concordo!